<p>Uma baleia-jubarte foi encontrada morta na manhã dessa segunda-feira, 30 de setembro, na praia da Unamar, em Cabo Frio, já em estado de decomposição, por moradores, que acionaram a Guarda Ambiental de Cabo Frio.</p>
<p>Chamadas ao local pela Guarda Ambiental, equipes do Instituto BW e do Grupo de Estudos de Mamíferos Marinhos da Região dos Lagos (GEMM-Lagos) realizaram, ainda naquela manhã, um exame de necrópsia no corpo do animal encalhado.</p>
<p>O exame realizado com agilidade e segurança, após isolamento da área, tem o objetivo de entender a causa do óbito do animal, entre outras informações, como explicou a médica veterinária Paula Baldassin, do Instituto BW.</p>
<p>“O exame necroscópico é fundamental para que seja possível entender o que levou o animal ao óbito. Mesmo o animal estando em avançado estado de decomposição, muitas vezes conseguem coletar informações importantes”, explica Paula Baldassin.</p>
<p>Segundo o Instituto BW, que atua em parceria com o GEMM-Lagos no monitoramento e resgate dos mamíferos marinhos da Região dos Lagos e do Norte Fluminense, a morte do animal encontrado em Unamar pode ter a ver com o período de migração da espécie.</p>
<p>“As baleias-jubarte realizam extensas migrações anuais entre áreas de alimentação nos pólos, ou seja, em águas frias e ricas em alimento, para áreas de reprodução, e cria de filhotes em águas mais quentes, onde os filhotes ganham peso e tamanho para retornarem aos pólos. A migração ocorre de maio a novembro, com picos em junho, julho e agosto, quando passam bem próximas à costa. Após uma redução drástica das populações em função da caça, quando menos de 1.500 baleias podiam ser encontradas na costa brasileira nos anos 1970, essa população vem se recuperando e hoje alcança mais de 25 mil baleias. Inevitavelmente algumas vão acabar encalhando devido a causas naturais ou ações antrópicas, como poluições química e sonora”, detalhou o Instituto BW, que tem sede na Praia Seca, em Araruama.</p>
<p>Segundo o professor Dr. Salvatore Siciliano, do GEMMLagos, machos adultos das baleias-jubarte migram para as áreas de reprodução em busca de fêmeas maduras, que apresentam ciclo muito curto quando férteis, obrigando os machos a aproveitar esse período para fecundar as fêmeas.</p>
<p>“Machos adultos formam grupos competitivos, ou seja, seguem uma fêmea receptiva para tentar copular com ela. Nesse caso, competem pelo acesso, ou maior proximidade das fêmeas, o que acontece entre muitos empurrões, batidas de cauda, das nadadeiras peitorais, e saltos”, explica o Dr. Salvatore Siciliano.</p>
<p>De acordo com o Instituto BW, em caso de encontrar pinguins e outras aves marinhas, tartarugas-marinhas e mamíferos marinhos na faixa de areia, sejam mortos ou debilitados, a recomendação é para que as pessoas não tentem devolvê-los à água, mas acionem imediatamente o número 0800-991-4800 e aguardem o resgate.</p>
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