<p>A produção artesanal foi colocada no centro do debate cultural em Cabo Frio ao longo da última semana. Em alusão ao Dia do Artesão, celebrado na quinta-feira (19), a Secretaria Municipal de Cultura promoveu uma série de ações voltadas ao fortalecimento do setor, com atividades distribuídas entre o distrito de Tamoios e a região central da cidade.</p>
<p>Encerrando a programação, o Corredor Cultural recebeu oficinas gratuitas de técnicas como crochê e bordado, ampliando o acesso à prática e incentivando a formação de novos artesãos. A proposta buscou não apenas celebrar a data, mas também estimular a continuidade de saberes tradicionais — ainda que iniciativas pontuais levantem um questionamento recorrente: como garantir impacto duradouro para além de agendas comemorativas?</p>
<p>Dias antes, na quarta-feira (18), o Museu e Casa de Cultura José de Dome, o Charitas, sediou uma escuta pública reunindo profissionais de diferentes bairros. O encontro funcionou como espaço de diálogo entre artesãos e representantes do poder público, abordando temas estratégicos como acesso a editais, oportunidades de exposição, regularização por meio de cadastro e políticas de incentivo à produção cultural.</p>
<p>Já na segunda-feira (16), a Sala da Cultura, em Tamoios, foi palco de uma roda de conversa com trabalhadores do segmento no distrito. O encontro permitiu a troca de experiências e a apresentação de demandas locais, seguido de um momento de confraternização entre os participantes.</p>
<p>De acordo com o secretário de Cultura, Carlos Ernesto Lopes, a proposta das escutas é ampliar a participação da sociedade civil na construção de políticas públicas. "Cada escuta que realizamos tem o objetivo de trazer luz às necessidades dos segmentos, dando esse protagonismo à sociedade civil, ouvindo e conhecendo ainda mais a realidade dos artesãos e artesãs de Cabo Frio. Em contrapartida, estamos aqui à disposição para auxiliar no acesso às políticas públicas. Esse é um momento inédito para a Cultura", afirmou.</p>
<p>O peso econômico do setor também foi destacado. Segundo a supervisora de Artesanato, Isabela Rosa, a atividade é majoritariamente exercida por mulheres no município e representa fonte de renda para muitas famílias. Cabo Frio conta atualmente com 674 profissionais cadastrados, ocupando a quarta posição no estado nesse indicador. Mais do que expressão cultural, o artesanato se consolida como engrenagem da economia criativa local — um potencial que, se bem estruturado, pode ir muito além de ações simbólicas e se transformar em política consistente de geração de renda.</p>
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