<p>O setor de transporte intermunicipal do Rio de Janeiro segue em crise, por conta da pandemia da Covid-19. A Auto Viação 1001 que possui sede no município de Niterói, na Região Metropolitana, atravessa uma crise sem precedentes, assim como outras empresas de ônibus no estado e também no Brasil. A Viação 1001, cujas operações intermunicipais estão praticamente suspensas há quase dois meses em função das medidas de quarentena adotadas pelo estado e Niterói, onde fica a sede da empresa, está demitindo 2.024 funcionários.</p>
<p>O setor de óleo e gás também teve grande baixa de funcionários. Os cortes nos gastos que a Petrobras vem fazendo para preservar sua saúde financeira diante da crise gerada pelo coronavírus - que derrubou a demanda por combustíveis e os preços internacionais do petróleo - atingem contratos com grandes fornecedores, mas também ameaçam pequenas e médias empresas da cadeia de óleo e gás.</p>
<p>Com o freio na produção de petróleo e combustíveis, cerca de 300 prestadoras de serviços de manutenção temem não conseguir manter 45 mil empregos ligados a contratos com a estatal que somam R$ 6 bilhões, de acordo com dados da consultoria BrainMarket. Isso porque a estatal já sinalizou que pretende rever os contratos.</p>
<p>Se forem levados em conta trabalhadores que atuam em projetos novos, como as obras do Comperj, em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio, o total de empregos ameaçados com a retração das atividades da Petrobras chega a 50 mil.</p>
<p>No mês passado, a Justiça concedeu liminar suspendendo a decisão da empresa de redução de jornada de trabalho e salários, como uma das medidas para cortar custos com despesas de pessoal neste momento de crise.</p>
<p>A Petrobras já reduziu a produção de petróleo em 200 mil barris por dia, paralisou plataformas e campos terrestres, adiou investimentos e reduziu a menos de 60% a operação de refinarias em todo o país.</p>
<p>O cenário é preocupante principalmente para a economia do Estado do Rio, maior produtor de petróleo do país. O setor responde por cerca de 30% do PIB fluminense, de acordo com dados da Federação das Indústrias do Rio (Firjan).</p>
<p>As linhas que ligam a Baixada Fluminense, assim como a cidade do Rio de Janeiro e Niterói, até os municípios da Região dos Lagos, Norte e Noroeste Fluminense, seguem paralisadas por conta do decreto estadual. No trecho Rio x São Paulo e São Paulo x Rio, a empresa voltou operar alguns poucos horários e com baixa procura de passageiros, que ainda seguem com receio de viajar para São Paulo, capital com maior número confirmado da Covid-19, bem como maior cidade com número de mortos até o momento.</p>
<p>Desde março já foram dispensados cerca de mil trabalhadores e só esta semana estão sendo feitas até sexta-feira, 250 homologações de rescisão de contratos. As demais demissões devem acontecer ao longo deste mês. A 1001, maior empresa de transporte rodoviário de passageiros do Estado do Rio de Janeiro, pertence ao grupo JCA, que também congrega as viações Cometa, Catarinense, Expresso do Sul e Rápido Ribeirão.</p>
<p>O grupo já vinha anunciando redução no quadro desde março, sob a alegação de queda de faturamento nos meses de janeiro e fevereiro. No entanto, outras motivações empresariais, além das consequências da crise econômica provocada pelo coronavírus, podem estar por trás das demissões em massa promovida pela empresa.</p>
<p>Desde o ano passado, a 1001 vinha adotando o regime de trabalho intermitente, que passou a ser permitido pela reforma trabalhista, e a suspensão atividades nos últimos dois meses pode ter sido uma razão decisiva para que fosse implementada uma mudança mais ampla no regime de trabalho da empresa.</p>
<p>O Detran-RJ também anunciou demissões. Mais de três mil trabalhadores de empresas terceirizadas foram demitidos a partir desta quarta-feira (13), o que deverá paralisar a maior parte dos serviços da autarquia no Estado.</p>
<p>As demissões em massa foram anunciadas internamente, depois que o governo interrompeu o pagamento pelos serviços. Durante três meses, os trabalhadores com mais de 24 meses de carteira assinada poderão receber cinco parcelas de seguro-desemprego e os que estiverem empregos no mínimo seis meses poderão receber três parcelas.</p>
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