<p>O empresário de Cabo Frio, Leonardo Feitosa, foi destaque em matéria do RJ 2ª edição nesta segunda-feira (15), por suposto envolvimento em esquema na construção do Hospital de Campanha de Bangu. Ele já é conhecido na cidade por possuir uma empreiteira e pela polêmica envolvendo a obra da quadra da Escola Municipal Rui Barbosa, que foi condenada.</p>
<p>O hospital de campanha para tratar da população carcerária do Rio de Janeiro com suspeita de Covid-19 não será entregue. Segundo informações do Mecanismo de Combate à Tortura da Assembleia legislativa do Rio (Alerj), a unidade será transformada em uma unidade de baixa complexidade para todos os enfermos do Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio.</p>
<p>“Os leitos que a Seap está entregando agora estão sendo montados para ser retaguarda para o pronto-socorro geral, ele não é um hospital de campanha (...) A gente sabe que a obra foi feita, mas não sabemos qual é a equipe que vai trabalhar ali, mas funcionando ou recebendo pacientes essa área não está”, afirmou o deputado estadual Alexandre Campbell.</p>
<p>Conforme mostrou o RJ2 desta segunda-feira (15), os contratos firmados entre o Governo do RJ e as empresas prestadoras de serviço apresentam irregularidades. A empresa contratada para fornecer a estrutura não tem sede, assim como uma concorrente.</p>
<p>Além disso, quase três meses depois do anúncio, nenhum atendimento tem sido feito no local.</p>
<p>Unidade construída em parceria com Forças Armadas</p>
<p>Para a construção da unidade, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) fez um acordo com o Comando Conjunto do Leste para que as Forças Armadas ajudassem na construção. Sendo assim, o estado compraria o material de construção e os militares fariam a obra.</p>
<p>O processo de contratação de mais de 200 itens para construção do hospital foi aberto no último dia 2 de abril. Três empresas apresentaram proposta a pedido da Seap: Claer do Brasil Construções; Australasia Construções e Vivaart Logística Empresarial.</p>
<p>A Claer está impedida de ser contratada pelo Governo Federal até 2021 por não ter entregue parte de uma passarela em um campus da Universidade Federal de Juiz de Fora.</p>
<p>O segundo preço mais baixo foi da Australasia Construções, que ofereceu os produtos por R$ 254 mil. Apesar disso, a proposta não tem o nome de nenhum responsável. A sede da empresa fica em um endereço em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Os moradores do local, no entanto, não conhecem a empresa.</p>
<p>Segundo a Receita Federal, a dona da Australasia é Norma Suely Almenara da Costa Macedo. O marido de Norma, por outro lado, nega que a esposa seja proprietária da empresa.</p>
<p>Em dois documentos da Prefeitura de Cabo Frio, o representante legal da Australasia é outra pessoa: Leonardo dos Santos Feitoza.</p>
<p>Apesar de ter assinado como representante da Australasia, Leonardo Feitoza assina a proposta da empresa concorrente que venceu a contratação pra fornecer os materiais para os hospitais de campanha: a Vivaart Logística Empresarial.</p>
<p>O subsecretário de Gestão, Finanças e Planejamento da Seap, Rafael Rodrigues de Andrade, autorizou a contratação da Vivaart para o fornecimento de insumos necessários à instalação do hospital de campanha no Instituto Santo Expedito para o tratamento de presos com Covid-19 pelo valor de R$ 214.916,00.</p>
<p>A Vivaart é mais uma empresa que não tem sede. No contrato, diz que o endereço fica em Cabo Frio, também na Região dos Lagos.<br />
O que dizem os citados</p>
<p>O Comando Militar do Leste (CML) afirmou que apoiou a Seap na implantação de uma estrutura temporária de saúde em Gericinó. Foram realizados trabalhos de adaptação das edificações pelos militares, mas que todos os materiais, equipamentos e demais insumos relativos a essa obra foram adquiridos pela Seap.</p>
<p>A Seap disse que a unidade temporária recebeu nesta segunda-feira (15) a validação técnica da Secretaria estadual de Saúde para poder funcionar. Sobre as suspeitas, a secretaria esclarece que não houve irregularidades e que seguiu todos os trâmites legais e parecer jurídicos. Os itens adquiridos para obra foram todos entregues, ainda segundo a pasta.</p>
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