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Corte Interamericana de Direitos Humanos condena Brasil por falta de investigação em crime bárbaro durante a Ditadura

<p><em>Em maio deste ano&comma; família do jornalista Vladimir Herzog&comma; torturado e assassinado durante a Ditadura militar&comma; enviou carta ao governo brasileiro pedindo abertura de arquivos da Central Intelligence Agency &lpar;CIA&rpar;&comma; do governo norte-americano<&sol;em><&sol;p>&NewLine;<p>A Corte Interamericana de Direitos Humanos &lpar;CorteIDH&rpar; condenou&comma; na última quarta-feira&comma; 4&comma; o Estado brasileiro pela falta de investigação&comma; julgamento e sanção dos responsáveis pela tortura e assassinato do jornalista Vladimir Herzog&comma; durante a Ditadura militar&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Comprovando a violência da época&comma; que ainda é colocada em dúvida por algumas correntes políticas no país&comma; o tribunal internacional também considerou o Estado responsável pela violação ao direito de conhecer a verdade e à integridade pessoal em prejuízo dos familiares de Herzog&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;A CorteIDH determinou que os fatos ocorridos contra Vladimir Herzog devem ser considerados como um crime contra a humanidade&comma; como é definido pelo direito internacional”&comma; afirma a sentença&period;<&sol;p>&NewLine;<p>O caso remonta a 24 de outubro de 1975&comma; quando o jornalista Vladimir Herzog&comma; de 38 anos&comma; se apresentou para depor voluntariamente diante das autoridades militares do Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna &lpar;DOI-CODI&rpar;&comma; em São Paulo&period;<&sol;p>&NewLine;<p>No entanto&comma; o jornalista foi preso&comma; interrogado&comma; torturado e finalmente assassinado em um contexto sistemático e generalizado de ataques contra a população civil considerada &OpenCurlyDoubleQuote;opositora” à Ditadura brasileira&comma; e&comma; em particular&comma; contra jornalistas e membros do Partido Comunista Brasileiro &lpar;PCB&rpar;&comma; segundo o processo&period;<&sol;p>&NewLine;<p>As autoridades da época informaram que se tratou de um suicídio&comma; uma versão contestada pela família do jornalista e no processo&period; Em 1992&comma; as autoridades iniciaram uma nova investigação&comma; que acabou arquivada em aplicação da Lei de Anistia&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Em 1976&comma; os familiares apresentaram uma ação civil na Justiça Federal que desmentiu a versão do suicídio e&comma; em 1992&comma; o Ministério Público do Estado de São Paulo &lpar;MP-SP&rpar; pediu a abertura de uma investigação policial&comma; mas o Tribunal de Justiça paulista &lpar;TJ-SP&rpar; considerou que a Lei de Anistia era um obstáculo para investigar&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Após outra tentativa de esclarecer os fatos&comma; em 2008&comma; o caso foi arquivado por prescrição&comma; segundo o processo&period; Por ser catalogado como um crime contra a humanidade&comma; a CorteIDH concluiu que o Estado &OpenCurlyDoubleQuote;não podia invocar nem a existência da figura da prescrição&comma; nem a aplicação do princípio &OpenCurlyQuote;ne bis in idem’&comma; da Lei de Anistia&comma; ou de qualquer outra disposição análoga ou excludente similar de responsabilidade para escusar-se do seu dever de investigar e sancionar os responsáveis”&period;<&sol;p>&NewLine;<p>A CorteIDH afirmou ainda que&comma; devido à falta de investigação&comma; o Estado brasileiro também violou os direitos às garantias judiciais e à proteção judicial dos familiares da vítima&comma; identificados como Zora&comma; Clarice&comma; André e Ivo Herzog&period;<&sol;p>&NewLine;<p>No marco do procedimento diante da CorteIDH&comma; o Brasil reconheceu que a conduta estatal de prisão arbitrária&comma; tortura e morte de Vladimir Herzog tinha causado aos familiares uma severa dor&comma; reconhecendo sua responsabilidade&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;Apesar de o Brasil ter empreendido diversos esforços para satisfazer o direito à verdade da família do senhor Herzog e da sociedade em geral&comma; a falta de um esclarecimento judicial&comma; a ausência de sanções individuais em relação com a tortura e o assassinato de Vladimir Herzog&comma; &lpar;&period;&period;&period;&rpar; violentou o direito a conhecer a verdade em prejuízo de Zora&comma; Clarice&comma; André e Ivo Herzog”&comma; indicou a sentença&period;<&sol;p>&NewLine;<p>A decisão do tribunal ordena ao Estado do Brasil que reinicie&comma; com a devida diligência&comma; a investigação e processo penal que corresponda pelos fatos ocorridos em 25 de outubro de 1975 para identificar&comma; processar e&comma; no seu caso&comma; sancionar os responsáveis pela tortura e assassinato de Vladimir Herzog&period;<&sol;p>&NewLine;<p>Além disso&comma; a CorteIDH determina que o governo brasileiro deve adotar as medidas mais idôneas para que se reconheça a imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade e crimes internacionais&comma; assim como pagar os danos materiais&comma; imateriais e despesas judiciais&period; Com sede na Costa Rica&comma; a Corte IDH faz parte da Organização dos Estados Americanos &lpar;OEA&rpar; e suas resoluções são de acatamento obrigatório para os países do hemisfério que reconheceram sua jurisprudência&period;<&sol;p>&NewLine;<p>No mesmo dia&comma; o Ministério dos Direitos Humanos &lpar;MDH&rpar; afirmou&comma; em resposta à condenação brasileira&comma; que &OpenCurlyDoubleQuote;acelerará” as investigações sobre o assassinato de Vladimir Herzog&period; O caso ressalta aos olhos do mundo um problema antigo do Brasil&comma; que&comma; em várias esferas&comma; têm dificuldade para solucionar crimes&comma; como&comma; por exemplo&comma; a execução da vereadora do Rio&comma; Marielle Franco &lpar;PSOL&rpar;&comma; que&comma; mesmo 3 meses depois&comma; ainda não foi solucionado&period;<&sol;p>&NewLine;<p>&OpenCurlyDoubleQuote;No que tange às suas competências&comma; o MDH dará cumprimento integral à sentença&comma; bem como articulará com outros órgãos e entidades públicas o seu cumprimento"&comma; afirma a nota do ministério&period;<&sol;p>&NewLine;<div id&equals;"wpdevar&lowbar;comment&lowbar;1" style&equals;"width&colon;100&percnt;&semi;text-align&colon;center&semi;"> &NewLine;&Tab;&Tab;<span style&equals;"padding&colon; 10px&semi;font-size&colon;16px&semi;font-family&colon;Arial&comma;Helvetica Neue&comma;Helvetica&comma;sans-serif&semi;color&colon;&num;4a80c1&semi;"> <&sol;span> &NewLine;&Tab;&Tab;<div class&equals;"fb-comments" data-href&equals;"https&colon;&sol;&sol;beta&period;cliquediario&period;com&period;br&sol;politica&sol;corte-interamericana-de-direitos-humanos-condena-brasil-por-falta-de-investigacao-em-crime-barbaro-durante-a-ditadura" data-order-by&equals;"reverse&lowbar;time" data-numposts&equals;"10" data-width&equals;"100&percnt;" style&equals;"display&colon;block&semi;"><&sol;div><&sol;div><style>&num;wpdevar&lowbar;comment&lowbar;1 span&comma;&num;wpdevar&lowbar;comment&lowbar;1 iframe&lbrace;width&colon;100&percnt; 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